FAUSTO LONGO – A vida me ensinou…

Fausto Longo, primeiro brasileiro eleito pela América do Sul a um cargo de senador na Itália, conta sobre seu trabalho, suas missões e o que é necessário para ser um excelente líder

por ALINE SALUOTTO

Nascido em Piracicaba, o arquiteto e urbanista já convivia com o ambiente político brasileiro desde os 14 anos. Aos
18, filiou-se ao antigo MDB e, há quatro anos no cargo, diz que a maior riqueza de sua trajetória tem sido o acúmulo de conhecimento e realidades diversas, antes desconhecidas ou pouco compreendidas. Ele comenta: “Todo esse conjunto de experiências, acredito, é o maior prêmio e também a maior responsabilidade ao assumir um papel que possa efetivamente contribuir para uma real mudança de patamar da humanidade em relação à solidariedade e à garantia de paz e prosperidade para cada ser humano”.

Muita coisa mudou nesses quatro anos. Até 2013, Longo havia exercido diversas funções no ambiente público, institucional e privado, percorrendo campos temáticos e áreas diversas, como publicidade e propaganda, humor gráfico, arquitetura e urbanismo, turismo, ciência e tecnologia, meio ambiente, design e vitivinicultura. Atualmente, concentra-se na percepção dos principais anseios e necessidades da comunidade italiana, seja aquela que vive na Itália ou na América do Sul. Procurando compreender essas demandas, o senador estuda alternativas que possam se transformar em projetos de leis que, discutidos, votados e aprovados no ambiente parlamentar, tenham condições de contribuir para a superação de obstáculos ou o aproveitamento de oportunidades. Paralelamente, dedicase ao aprofundamento do saber constitucional para a proposição de melhorias da qualidade de vida, que
apontem para a construção de um país cada vez mais justo, solidário e desenvolvido.

Em relação às missões, o arquiteto separa-as em três categorias: festivas, culturais e técnicas (obras
públicas de infraestrutura, condições operacionais de uma grande empresa estatal, um terminal portuário
etc.), emergenciais (terremotos, enchentes, ameaças terroristas etc.) e de relacionamento com a comunidade
de eleitores. Existem também as missões internacionais, que promovem o estreitamento com outros países e
com o comércio exterior, o tratamento de questões de defesa e segurança, discussões sobre conflitos internacionais e terrorismo, além de ajuda humanitária e de inter-relacionamento parlamentar. As missões são concentradas em dez países da América do Sul, revestidas de caráter institucional e oficial ou do cumprimento da atividade parlamentar na comunidade. Questionado quais seriam as características e atitudes fundamentais de um líder, o senador salienta que é preciso ter uma causa, ter conhecimento real e profundo sobre ela, jamais perder a humildade e, principalmente, ter ética.

“Todo esse conjunto de experiências, acredito, é o maior prêmio e também a maior responsabilidade ao assumir um papel que possa efetivamente contribuir para uma real mudança de patamar da humanidade em relação à solidariedade e à garantia de paz e prosperidade para cada ser humano”

Com essas qualidades, a força para prosseguir virá naturalmente, sem manipulações, sem interesse duvidoso,com transparência, espírito construtivo e participativo. Ao falar sobre os pilares para alcançar o sucesso, Longo
cita “coragem para buscar o percurso adequado, esforço contínuo na capacitação e foco – sem saber aonde se
quer chegar, qualquer caminho serve, e pode não levar a lugar nenhum”, e termina dizendo que, embora não seja
um esportista (fora o paraquedismo praticado durante 25 anos em Piracicaba), a atividade física nos demonstra
que, sem conhecimento das regras, muito treino, condicionamento, preparação, técnica, espírito de equipe,
humildade, reconhecimento das fragilidades e estratégia, dificilmente haverá êxito.

Sobre planos para o futuro, o arquiteto comenta que iniciou um percurso político em que pode utilizar todo o
conjunto de experiências como uma forte tendência para o futuro. “Desejo cumprir com serenidade e persistência
o mandato que os eleitores me confiaram e buscar o exercício político mais justo e leal possível. Não gostaria
de passar por esta vida sem deixar um legado ético, sem comprovar que é possível ser legítimo, idealista e, acima
de tudo, poder contribuir para a construção de uma sociedade que permita a cada pessoa equivalência de oportunidade para ser dignamente feliz”, Longo completa. •

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